Escrevendo
às quintas desta quinta-feira 23/07 vem de Campirella que postou uma série de citações famosas e reflexivas e propõe que os amigos usem uma ou mais frases para suas criações e postagem. Eu usei a frase: "O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus
sonhos."Eleanor Roosevelt
A menina e o caderno de desenhos
Mariama
cresceu numa comunidade carente na suburbana. Lá não tinha praça, havia um
terreno baldio, quando chovia, virava lama. Quando fazia sol, virava
poeira. As crianças brincavam entre entulho e lixos de todas espécies.
Ela
tinha 10 anos, adorava um caderno de desenhos que achara perto do contêiner de
lixo. Desenhava chafariz, postes e bancos numa praça como viu no Pelourinho. Mas
o povo dizia: "Aqui nunca muda, menina."
Com
18 anos ela ganhou uma bolsa de arquitetura e nos fins de semana de volta para
casa, levava rascunhos de plantas e ideias, reunia vizinhos na escolinha e
mostrava seus desejos de melhoria. Ninguém acreditava. Até que ela conseguiu
levar até a comunidade um assessor do prefeito, mostrando o caderno.
No
ano de eleições maquinas apareceram na comunidade. E mudanças iniciaram com
praça no terreno baldio, com parque infantil, horta comunitária e quadra de
futebol. As ruas ganharam calçamento e rede de esgoto, também vieram postes com
lâmpadas potentes, que as crianças podiam brincar a noite.
A
escolinha ganhou uma biblioteca e uma sala para aula de costura e cursos de
bordados e pinturas em cerâmica. Mariama visitava as obras e vivia de encantamentos, vibrava com
as mudanças da comunidade. Frutos de seus projetos assumidos pelo prefeito.
Na
inauguração, o prefeito a convidou para cortar a fita. Na hora da foto uma
menina, perguntou se ela tinha feito aquilo tudo sozinha. Ela mostrou o seu
caderno já todo amarelado e disse: "O futuro pertence àqueles que
acreditam na beleza dos seus sonhos." "Eu só acreditei. Agora é a vez
de vocês."
Apesar
de tudo a comunidade ainda é carente, mas não é mais comunidade esquecida.
Escrevendo as quintas em 02/07/2026, foi idealizado e convocado pela Monica em seublog neogeminis onde sugere, que conte uma historia ou conto em primeira pessoa, sobre a intriga numa grande cidade. Confira por lá outros links de participantes com suas historias.
Intriga na
cidade de Salvador.
Salvador escorria em lama morro abaixo naquele
abril. No alto, o bairro do Farol tinha condomínio de luxo. Eu morava no pé do
morro, no Beco do Tamarineiro que tinha esgoto a céu aberto, ponto de ônibus
que nunca chegava.
A intriga começou com uma portaria da prefeitura,
prometendo abrir uma rua ligando os dois lados do morro, como Integração social,
diziam os panfletos. Na prática, era asfalto para a construtora do vereador J. Pinto
construir edifícios com vista para o mar.
Eu assisti a toda trama, vi as ações de despejos. A
estrada passaria por cima de doze barracos do Beco. A indenização que coube a
cada morador, mal dava para pagar um barracão na periferia.
Eu um simples cobrador de ônibus demitido, quando a
linha foi cortada para a obra. Eu conhecia todo mundo. Sabia quem devia, quem
traía, quem era passível ao corrupto vereador.
Eu não contive. Comecei a juntar as pontas. Gravei o
vereador prometendo cargo para a líder comunitária do Tamarineiro se ela
calasse o povo. Filmei o síndico do Farol, pagando para acelerar o despejo.
Postei num perfil do Instagram.
A cidade viu a postagem por 48 horas. O Beco
tremeu. Então o perfil sumiu, o vídeo foi apagado. Tive de desaparecer,
orientado por um advogado público. Alguns jornais noticiaram, que eu havia
morrido em outra cidade numa tentativa de assalto, denegrindo a minha imagem.
De longe vi a rua inaugurada pelo prefeito,
bajulado pelo vereador J. Pinto. Indignado eu que tinha salvo as postagens,
resolvi enviar tudo ao Ministério Público por meio do tal advogado.
Decidido pela justiça, um justo ressarcimento aos
doze moradores com recursos da empresa do J. Pinto. Pelos jornais fui
indenizado e com retratação. Depois, me exilei numa praia isolada de onde
tornei publica toda intriga e trama da turma do Farol.